Procter & Gamble, Foxconn, Samsung e muitas outras. Por que tantas empresas multinacionais estão estabelecendo unidades de produção no meio da floresta amazônica?
A resposta reside em um dos diferenciais mais importantes para qualquer empresa de manufatura: os impostos.
Para estimular a atividade econômica na Amazônia e promover o desenvolvimento industrial em uma das regiões menos desenvolvidas do Brasil, o governo brasileiro oferece incentivos fiscais significativos às empresas que operam na Zona Franca de Manaus (ZFM). Aqui, os impostos federais e estaduais são – desde que haja um processo de aprovação concluído com sucesso – substancialmente reduzidos, tornando Manaus uma alternativa potente às regiões industriais mais estabelecidas do Brasil, como São Paulo.
The question, however, is whether these tax benefits outweigh the additional logistical and operational costs in such a remote location. And for foreign companies in particular: how accessible is the ZFM when it comes to establishing and managing operations in the zone?
O que é a Zona de Livre Comércio?
A Zona Franca de Manaus (ZFM) faz parte de uma área de desenvolvimento regional mais ampla conhecida como Amazônia Ocidental, abrangendo os estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. A região em geral é vastíssima – quase 2,5 vezes o tamanho do Texas – com atividade econômica altamente concentrada em Manaus, a capital do Amazonas, tornando-a o centro *de facto* da zona de livre comércio.
Estabelecida em 1967, a ZFM foi criada para trazer atividade econômica e desenvolvimento industrial para uma parte remota e subdesenvolvida do Brasil. Manaus estava, especialmente na época, geograficamente isolada dos principais centros econômicos do país e sua infraestrutura limitada tornava difícil para as empresas competir com regiões industriais mais bem localizadas. O governo, portanto, introduziu um sistema de incentivos fiscais projetado para atrair investimentos e tornar a produção industrial na região comercialmente viável.
A maior parte da atividade industrial está concentrada no Polo Industrial de Manaus (PIM), localizado na cidade de Manaus, às margens do Rio Amazonas. ao longo das décadas, o PIM se transformou em um dos maiores polos industriais do Brasil, com centenas de empresas (internacionais) operando em todo o setor industrial, desde eletrônicos até produtos químicos e saúde. Multinacionais operam ao lado de empresas brasileiras e têm acesso a uma base cada vez maior de fornecedores locais, agenciamento de cargas e logística portuária.
Como a ZFM Funciona
A lógica econômica por trás da ZFM reside principalmente em seus incentivos fiscais. As empresas que operam dentro da zona se beneficiam de reduções significativas ou isenções em uma série de impostos federais e estaduais, particularmente sobre a importação de matérias-primas e produtos semiacabados.
Os produtos importados que entram na ZFM beneficiam-se de isenções do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), enquanto incentivos adicionais se aplicam ao PIS/COFINS e ao ICMS de âmbito estadual. O tratamento exato depende do tipo de produto, de sua origem e de como ele é utilizado dentro da ZFM.
Os benefícios não são concedidos automaticamente. As empresas que desejam estabelecer uma operação industrial devem submeter um projeto industrial à SUFRAMA para aprovação. O pedido precisa especificar os produtos a serem fabricados, o processo de produção, o investimento previsto e outros parâmetros relevantes. Os projetos aprovados podem então acessar os incentivos dentro dos limites e condições estabelecidos pelo marco regulatório da ZFM.
Outro requisito importante é demonstrar uma quantidade mínima de operações a serem realizadas localmente para que o processo produtivo seja considerado como efetivamente ocorrendo dentro da ZFM. Descritos no Processo Produtivo Básico (PPB), os requisitos para qualificação variam por produto e por quais etapas do processo produtivo de fato ocorrem em Manaus.
Construindo uma cadeia de suprimentos na Amazônia
Os incentivos fiscais podem tornar a fabricação em Manaus atraente, mas não mudam a geografia da região. Para as empresas que operam no PIM, estabelecer uma cadeia de suprimentos confiável e economicamente viável é, portanto, uma parte essencial do modelo de negócios.
Uma fatia significativa dos insumos utilizados pelos fabricantes em Manaus é obtida fora do Brasil. Componentes, matérias-primas e produtos semiacabados são enviados para o Brasil e depois transportados mais para o interior. Como as ligações rodoviárias entre Manaus e os principais portos marítimos não são suficientemente confiáveis, a maior parte da carga internacional chega à ZFM por barcaças fluviais.
Para cargas conteinerizadas, a rota mais comum é através dos portos do Pará, de onde os contêineres são transferidos para balsas e transportados por cerca de 1.600 quilômetros rio acima até Manaus. Dependendo da rota e das condições, o trecho fluvial pode levar cerca de uma semana. A cidade de Manaus possui uma infraestrutura portuária e logística estabelecida, dedicada a lidar com o fluxo de bens industriais para o PIM.
Estas condições da cadeia de suprimentos significam que os prazos de entrega são mais longos e as variações sazonais nos níveis dos rios precisam ser consideradas, levando a diferentes abordagens no planejamento e gerenciamento de estoques. No entanto, com a área do PIM tendo se desenvolvido tanto nas últimas décadas, despachantes aduaneiros especializados e provedores de logística tornaram-se bastante confiáveis na entrega de mercadorias conforme o planejado.
A ZFM é Ideal para o Seu Negócio?
O ZFM não é igualmente atraente para todos os fabricantes. Seus incentivos são mais relevantes para empresas que conseguem incorporar os benefícios fiscais em uma estratégia maior de industrialização e cadeia de suprimentos.
Para as empresas que importam volumes significativos de componentes, matérias-primas ou produtos semiacabados para o Brasil, a economia tributária pode ter um impacto material na economia da produção local. A escala da base industrial existente oferece acesso a fornecedores especializados, provedores de logística e uma mão de obra industrial experiente. A SUFRAMA lista atualmente cerca de 600 empresas industriais operando no PIM.
A maior parte da produção do PIM é, em última análise, destinada ao mercado brasileiro, e não à exportação. Isso mostra que o uso da ZFM como base de fabricação é relevante para aquelas empresas que atendem ao mercado consumidor brasileiro, em vez de um modelo de cadeia de suprimentos de entrada e saída.
Outra coisa a ser levada em consideração é que estabelecer presença no PIM envolve mais do que montar uma fábrica. O investimento exige um projeto industrial aprovado, conformidade com os requisitos de produção e a criação de uma cadeia de suprimentos confiável de mercadorias que entram em Manaus. O conhecimento e a compreensão das leis tributárias brasileiras, procedimentos aduaneiros, regulamentações e requisitos operacionais também desempenham um fator fundamental.
No fim das contas, utilizar a ZFM é uma decisão estratégica para a qual vários fatores precisam ser considerados, sopesando prós e contras. Para uma empresa que planeja operações de fabricação no Brasil, com insumos vindos do exterior e produtos acabados entregues no mercado brasileiro, a ZFM definitivamente merece uma análise mais detalhada.
Enquanto isso, o fluxo de novos projetos para a ZFM indica que as empresas continuam a enxergar oportunidades nesse modelo. Somente em 2025, a SUFRAMA aprovou 56 novos projetos, representando R$1,25 bilhões em investimento planejado e mais de 2.000 empregos diretos previstos.



