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UE-Mercosul: O que isso significa para as empresas

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Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul chegaram a um acordo comercial histórico que abrange um mercado de mais de 700 milhões de pessoas. Este acordo aproxima a UE da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e cria um novo quadro para o comércio, os investimentos e a cooperação económica entre as duas regiões.

O momento é importante. As empresas estão reavaliando suas cadeias de suprimentos, buscando novos mercados e competindo pelo acesso à energia, matérias-primas e capacidade industrial. Tarifas mais baixas e menos barreiras comerciais tornarão mais fácil para as empresas europeias exportar para o Mercosul, obter produtos e materiais da região, participar de licitações públicas e estabelecer operações locais. Para as empresas europeias, isso não se trata apenas de comércio. Abre uma das maiores regiões econômicas emergentes do mundo, com o Brasil no centro do mercado do Mercosul.

O que é o Acordo UE-Mercosul?

O acordo reúne a União Europeia e os quatro países fundadores do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Abrange o comércio de bens e serviços, o investimento, as compras públicas, a propriedade intelectual, alfândegas e outras áreas de cooperação econômica.

Consiste em dois instrumentos vinculados: o Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA) e o Acordo Comercial Interino (iTA). O iTA centra-se no comércio e no investimento e foi aplicado provisoriamente desde 1 de maio de 2026. Ele será substituído pelo Acordo de Parceria completo assim que for ratificado. A UE e o Mercosul chegaram a um acordo político em dezembro de 2024, assinado em janeiro de 2026 e iniciou a aplicação provisória do acordo comercial em maio de 2026.

Para as empresas, a mudança é simples: o comércio entre as duas regiões agora se realiza em um quadro concebido para reduzir os direitos de importação, eliminar barreiras comerciais e tornar o acesso ao mercado mais previsível.

Por que o Acordo é Importante

O acordo cria uma relação comercial que abrange mais de 700 milhões de pessoas e liga duas grandes regiões econômicas em um momento em que as empresas querem diversificar seus mercados e cadeias de suprimentos. A UE já é um importante parceiro comercial do Mercosur. Em 2025, as exportações da UE para os quatro países do Mercosur atingiram 53,3 bilhões de euros, enquanto as exportações do Mercosur para a UE totalizaram 56,1 bilhões de euros. As exportações europeias são concentradas em máquinas, produtos químicos, produtos farmacêuticos e equipamentos de transporte. O Mercosur envia grandes volumes de produtos agrícolas e minerais para o outro lado.

O acordo reforça essa relação de várias maneiras. Tarifas mais baixas tornam os produtos europeus mais competitivos no Mercosul, e menos barreiras não tarifárias facilitam o comércio transfronteiriço. O melhor acesso aos mercados de serviços cria oportunidades além dos bens físicos, e as disposições de contratação pública abrem oportunidades para contratos governamentais. Normas mais claras de alfândega e comércio tornam as operações transfronteiriças mais previsíveis, e o acesso melhorado a matérias-primas críticas apoia a diversificação das cadeias de suprimentos na Europa.

Assim, o acordo vai muito além da redução dos direitos de importação. Trata-se de um quadro mais amplo para o comércio, o investimento e a cooperação empresarial entre a Europa e o Mercosul.

Tarifas mais baixas e melhor acesso ao mercado

A redução das tarifas é o efeito mais direto. Para os exportadores da UE, as tarifas sobre mais de 91% produtos enviados ao Mercosul serão eliminadas ao longo do tempo, com diferentes períodos de transição para cada produto. Diversas grandes indústrias europeias poderão se beneficiar.

Setor automotivo. Atualmente, o Mercosul aplica altos impostos de importação aos veículos europeus. De acordo com o tratado, os direitos aduaneiros sobre veículos elétricos e híbridos da UE caem de 35% para 25% imediatamente, e os direitos sobre carros com motor de combustão interna são reduzidos de 35% para 17,5%. As tarifas sobre muitas peças automotivas serão, então, eliminadas gradualmente nos anos seguintes.

Máquinas e equipamentos industriais. As tarifas de 14–20% sobre máquinas e aparelhos serão gradualmente eliminadas para 93% de exportações da UE nessas categorias, na maioria dos casos ao longo de dez anos.

Produtos farmacêuticos. Atualmente, esses produtos estão sujeitos a tarifas de até 14%, que serão gradualmente eliminadas para 90% das exportações farmacêuticas da UE ao longo de dez anos.

Agricultura e alimentos. Os exportadores europeus obtêm melhor acesso por meio de reduções tarifárias e cotas para produtos como azeite de oliva, vinho, cerveja e outros produtos alimentícios, enquanto os setores agrícolas sensíveis permanecem protegidos por meio de cotas tarifárias e medidas de salvaguarda.

O impacto não se limita aos direitos aduaneiros. O acordo também aborda barreiras técnicas, procedimentos alfandegários, avaliações de conformidade e normas internacionais, o que elimina parte da fricção administrativa no comércio transfronteiriço.

Acesso a Compras Públicas e Licitações

Uma das mudanças mais importantes para as empresas europeias é o melhor acesso às compras públicas nos países do Mercosul. O acordo abre partes desses mercados de compras públicas, permitindo que as empresas europeias concorram a contratos de acordo com as regras e o escopo estabelecidos no acordo. Somente no Brasil, o mercado federal de mercado de compras públicas movimenta mais de 8 bilhões de euros por ano. As oportunidades abrangem infraestrutura, transporte, energia, construção, engenharia e outros serviços públicos, e o acordo estabelece regras sobre a divulgação de informações sobre compras públicas, procedimentos de licitação e transparência.

Isso significa que o acesso ao mercado não se limita mais à venda a clientes particulares. As licitações públicas podem se tornar uma via para entrar no mercado brasileiro.

No entanto, nem todos os contratos governamentais brasileiros estão automaticamente abertos a empresas europeias. A cobertura depende da entidade contratante, do tipo de aquisição, dos limites de valor e dos compromissos específicos assumidos pelo Brasil.

O que isso significa para as empresas europeias?

O acordo cria oportunidades em vários tipos de negócios.

Exportadores. A redução das tarifas torna os produtos europeus mais competitivos no Mercosul, especialmente máquinas, veículos, produtos químicos, farmacêuticos e outros produtos industriais.

Prestadores de serviços. O acordo abrange o comércio de serviços e o estabelecimento, com compromissos em áreas como telecomunicações, serviços financeiros, transporte e serviços empresariais.

Fabricantes. Você pode utilizar o acordo para muito mais do que apenas exportar produtos acabados. Ele também ajuda a estabelecer relações de fornecimento e produção dentro do Mercosul.

Investidores. As empresas que têm como alvo o Brasil ou outros mercados do Mercosul obtêm melhor acesso a oportunidades de comércio, investimento e cadeia de suprimentos, além de um marco regulatório para a circulação de determinados profissionais entre as duas regiões.

O impacto prático depende do seu setor e do seu modelo de negócio. Para algumas empresas, a oportunidade é exportações mais baratas. Para outras, é produção local, sourcing, parcerias ou licitações públicas.

Brasil: O Maior Mercado do Mercosul

O Brasil é a maior economia e mercado do Mercosul, o que o torna especialmente importante para as empresas europeias que desejam beneficiar do acordo. Com mais de 200 milhões de pessoas, uma grande base industrial e importantes setores agrícolas, energéticos e de recursos naturais, ele oferece oportunidades em uma ampla gama de indústrias. Já é o maior parceiro comercial da UE no Mercosul, e as empresas europeias estão ativas no Brasil em áreas como automotiva, máquinas, produtos químicos, produtos farmacêuticos, energia, serviços financeiros e infraestrutura.

O acordo pode fortalecer esses laços e abrir novas oportunidades em indústrias de manufatura, agroindústria e alimentos, energia e energia renovável, infraestrutura e construção civil, mineração e matérias-primas críticas, tecnologia e serviços digitais, logística e serviços financeiros e profissionais. Para as empresas europeias, o Brasil pode servir tanto como um grande mercado interno quanto como base para operações mais amplas na América do Sul.

Setores Estratégicos e Oportunidades de Investimento

Vários setores no Brasil e na região do Mercosul como um todo já estão atraindo investimentos internacionais.

Energia. Os recursos renováveis do Brasil criam oportunidades em energia eólica, solar, hidrelétrica, armazenamento de energia e infraestrutura relacionada. Empresas europeias com expertise em tecnologia energética, desenvolvimento de projetos e engenharia podem encontrar espaço em toda a cadeia de valor.

Agribusiness. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo. As oportunidades vão muito além da produção primária, abrangendo tecnologia agrícola, processamento de alimentos, logística, armazenamento e infraestrutura de cadeia de suprimentos.

Infrastrutura. O Brasil precisa de investimentos em transporte, logística, redes de energia, saneamento e infraestrutura urbana. O melhor acesso aos contratos públicos oferece a empresas europeias de engenharia, construção e infraestrutura uma nova oportunidade.

Mineração e matérias-primas críticas. O Mercosur possui reservas significativas de minerais e outros materiais necessários para a produção industrial e a transição energética. O acordo reforça a cooperação e o acesso aos mercados neste setor, e a UE já obtém uma grande parte de suas importações de niobio do Mercosur.

Tecnologia e serviços digitais. O Brasil possui um dos maiores mercados tecnológicos da América Latina, com forte demanda por computação em nuvem, tecnologia financeira, software empresarial e infraestrutura digital. Empresas de tecnologia e serviços profissionais europeias podem combinar o acesso a mercados melhorados com parcerias e operações locais.

O acordo comercial não cria esses setores. O que ele faz é facilitar a participação das empresas europeias em mercados onde já existem oportunidades.

Cadeias de Suprimentos e a Indústria Manufactureira Europeia

O acordo também pode mudar a forma como as empresas europeias estruturam suas cadeias de suprimentos. Tarifas mais baixas e regras comerciais mais claras facilitam a aquisição de produtos e componentes do Mercosul e a venda de produtos acabados na região. Para os fabricantes, isso abre opções além da exportação a partir da Europa: adquirir matérias-primas ou componentes do Brasil e de outros países do Mercosul, estabelecer produção local ou combinar tecnologia e expertise europeias com a capacidade de fabricação local.

O Brasil se destaca por sua grande base industrial e posição forte no setor agrícola, minerário, energético e industrial, o que lhe dá acesso a fornecedores e clientes no mesmo mercado. A diversificação também está se tornando uma prioridade prática. Empresas que dependiam de um punhado de fornecedores ou locais de produção podem usar o acordo para avaliar alternativas na América do Sul. A oportunidade não se resume apenas à venda maior para o Brasil. É construir cadeias de suprimentos mais integradas entre a Europa e o Mercosul.

Infraestrutura, Logística e Comércio

Para que haja mais comércio, é necessário que haja infraestrutura para o transporte de mercadorias, energia e informações entre os mercados. O Brasil já possui uma grande rede de portos, estradas, ferrovias, armazéns e operadores de logística, mas a infraestrutura ainda está em fase de desenvolvimento. O aumento dos volumes comerciais cria demanda por mais capacidade logística e por melhores corredores de transporte.

Os portos desempenharão um papel central. As principais vias de exportação e importação do Brasil conectam as regiões industriais e agrícolas com os mercados internacionais, e melhores conexões ferroviárias e rodoviárias podem reduzir os custos de transporte entre os centros de produção e os portos. O mesmo se aplica à energia: o investimento na geração, transmissão e armazenamento de energia apoia a indústria e o crescimento dos setores de alta intensidade energética.

Para as empresas europeias, isso cria oportunidades além da exportação de bens. Empresas de engenharia, construção, logística, tecnologia de infraestrutura e desenvolvimento de projetos podem todos participar dos investimentos necessários para apoiar um comércio mais intenso. O acordo não cria essas necessidades de infraestrutura por si só, mas fortalece o quadro comercial no qual os investimentos podem ocorrer. 

Implementação: O Que Acontece Agora?

O Acordo Comercial Interino (iTA) está em aplicação provisória desde 1 de maio de 2026, de modo que os compromissos comerciais e de investimento já estão a produzir efeitos enquanto o Acordo de Parceria mais abrangente passa pelo processo de ratificação. As empresas não têm de esperar pela aprovação total do acordo para poderem utilizar as disposições comerciais que já estão em vigor.

No entanto, nem tudo acontece de uma só vez. Muitas tarifas estão sendo reduzidas em etapas, com diferentes períodos de transição para cada produto, e os produtos agrícolas sensíveis continuam sujeitos a quotas e salvaguardas. Portanto, observe o que isso significa para seus próprios produtos e operações. Quais tarifas se aplicam atualmente e quando elas serão eliminadas? Quais regras de origem se aplicam? Existem novas oportunidades no âmbito de contratos públicos? Quais requisitos técnicos ou regulatórios ainda se aplicam? O acordo altera a economia de aquisição ou produção no Mercosul? O acordo fornece o quadro. Agora você precisa analisar como isso afeta seu negócio.

O Que as Empresas Europeias Devem Fazer Agora

O acordo melhora o acesso ao mercado, mas você ainda precisa entender como as novas regras se aplicam a você. Um primeiro passo prático é revisar seus produtos, fornecedores e atividades comerciais atuais em relação ao acordo.

Revisar sua posição tarifária. Confira quais direitos de importação aplicam-se aos seus produtos agora e quando eles serão reduzidos ou removidos. As reduções são aplicadas de forma diferente para cada categoria de produto.

Verifique as regras de origem. Os direitos preferenciais só se aplicam quando os produtos atendem às regras de origem do acordo, portanto verifique onde seus produtos e componentes são fabricados e se eles são elegíveis para o benefício.

Olhe além das exportações. A produção local, a obtenção de matérias-primas, os serviços, as parcerias e os contratos públicos podem fazer parte da sua estratégia de mercado.

Avaliar as propostas públicas. Se você atua no setor de infraestrutura, engenharia, energia, construção ou em setores semelhantes, avalie se as oportunidades de aquisição contempladas são relevantes. As empresas da UE já podem apresentar propostas para contratos públicos contemplados no acordo comercial provisório.

Considere uma presença local. Para algumas empresas, exportar para a Europa faz sentido. Para outras, uma operação local, um parceiro brasileiro ou uma cadeia de suprimentos local oferecerão melhores oportunidades.

O acordo elimina algumas barreiras ao mercado do Mercosul. O próximo passo é decidir como utilizar esse acesso.

O Brasil como parceiro comercial a longo prazo

O acordo reforça uma relação econômica que já existe em escala significativa. A UE é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul em termos de bens, e as empresas europeias já possuem uma presença significativa de investimentos na região. O volume de investimentos da UE no Mercosul atingiu 390 bilhões de euros em 2023. O Brasil se destaca no Mercosul devido à sua escala econômica, base industrial, recursos naturais e mercado interno.

Existem muitas maneiras de participar: exportar produtos e tecnologia europeias, obter matérias-primas e componentes, estabelecer produção local, desenvolver projetos de infraestrutura e energia, fornecer serviços profissionais e digitais, participar de licitações públicas ou construir parcerias com empresas brasileiras.

O acordo não elimina os desafios práticos de fazer negócios no Brasil. Você ainda precisa lidar com regulamentações locais, tributação, o português, logística e as exigências específicas do mercado brasileiro. O que muda é o contexto comercial. As empresas europeias agora têm melhor acesso a um mercado que já era importante e está se tornando cada vez mais interligado com a Europa.

Conclusão

O acordo UE-Mercosul fornece o quadro. A verdadeira oportunidade reside na forma como você o utiliza.

A Ipanema International ajuda empresas internacionais a transformar essa oportunidade em um negócio viável no Brasil. Oferecemos suporte à sua estratégia de entrada no mercado e aos aspectos práticos da implantação: representação local, constituição de empresa, contabilidade e operações diárias. Se você deseja concorrer a contratos públicos, ajudamos na elaboração da sua proposta. E, caso esteja enviando funcionários para o Brasil, oferecemos suporte no processo de imigração. Entre em contato para conversarmos sobre o que o acordo significa para o seu negócio.